“A palavra ‘segredo’ é repugnante em uma sociedade livre e aberta, e opomo-nos estóica e historicamente às sociedades secretas, juramentos e procedimentos secretos. Seremos contrários em qualquer parte do mundo às conspirações monolíticas e impiedosas que em termos obscuros ampliam suas esferas de influência. Em infiltração, em vez de invasão; em subversão, em vez de eleição; em intimidação, em vez de livre escolha; guerrilhas noturnas, ao invés de exércitos de dia. É um sistema que tem aprisionado pessoas e coisas a teias bem construídas, em uma máquina de alta eficiência que combina operações militares, diplomacias, inteligência, economias, ciência e política. As suas tarefas são escondidas, não publicadas. Os seus erros são enterrados, e não divulgados. Os seus dissidentes são silenciados, não orientados. Nenhum gasto é questionado, nenhum rumor é inspecionado, nenhum segredo é revelado. Essa foi a razão pela qual o legislador grego Sólon considerou crime a qualquer cidadão que se acovarde perante uma discussão. Estou a pedir ajuda numa tremenda tarefa a alertar o povo americano, crente que com a sua ajuda as pessoas serão aquilo que nasceram para ser: livres e independentes”
John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), discurso presidencial ao povo pouco antes de ser assassinado em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963.
Para o cidadão ouvinte, apenas mais um discurso de um ilustre orador; para alguns "poucos esclarecidos", uma caixa-preta aberta ao olhos da sociedade. No texto acima, localizam-se palavras-chaves que fundamentam uma série de argumentos da nossa realidade existencial, uma realidade "moldada", na qual a sociedade moderna ilude-se em um feitichismo existencial incondicional sem prescedentes na história. Assim, segredos, tramas, favoritismos políticos, fatos dissimulados, etc., são alguns aspectos relacionados em um conjuntos de teorias que buscam provar uma conspiração de pessoas influentes mundiais, cujo objetivo é, a priori, previsível: poder e dominação dos meios e recursos da Terra, subjugando quem quer que seja.
Entretanto, a explicação acima é sintética e, de certo modo, um tanto utópica. Não basta buscar fatos e criar teorias, pois os fatos, em si, não mostram e demonstram confiadamente quase nada. É preciso uma metodologia introspectiva pessoal, de forma que confronte os fatos com as verdades da sociedade, buscando as contradições que não se sustentam. As falsas verdades criadas com o intuito de distorcer a realidade dos fatos torna-nos, cidadãos comuns (que apresentamos QI baixo da média, péssimo hábito de rejeição às leitura e à informação, escolaridade ínfima), alienados da nossa natureza de autoanálise e reflexão crítica das coisas em nossa volta.
Portanto, não é somente por meio de teoria que se exporá o antígeno social da hipocrisia, de forma que, a partir de uma concepção reflexiva individual de que tudo que conhecemos não se sustenta e não se explica em si, as pessoas conceberão que são constantemente manipuladas pelas estruturas de poder e coação instaurados, isto é, a conspiração que paira em nossos corpos e mentes, nossas relações e na nossa forma de viver...
